Quem sou eu

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Professora do Ensino Público na cidade de Campinas-SP. Leciono as disciplinas de História e de Ensino Religioso. Sempre curiosa, sou apaixonada por Lispector, Guimarães Rosa, Shakespeare, Espinoza e Dante Alighieri. Adoro escutar Maria Bethania, Lenine, Arnaldo Antunes, Nana Caymmi e MV Bill cantando. Seu Jorge e Bjork também me agradam. Ataco de artesã quando me dá 'na telha' e sou descendente - tanto por parte de mãe quanto de pai - de uma linhagem de 'cantadores': contadores de história. Sou bisneta de um índio tropeiro e de um italiano fascista. O filho do primeiro se apaixonou pela filha do segundo: sou fruto de um encontro pouco provável mas não impossível. Acostumada, portanto, a lidar com o preconceito, com o inesperado e a enfrentar desafios: é por isso que faço parte da Educação pública paulista!

sábado, 11 de julho de 2015

Um condomínio chamado Brasil - sobre a redução da maioridade penal e as escolhas do país.

Muralhas que dividiram os seres humanos sempre estiveram presentes ao longo da História. Alguns exemplos são a muralha da China – construída como tática militar e cujos primeiros sinais remontam ao século VII antes de nossa era; a Muralha de Adriano, que o imperador construiu em 122 d.C. para separar os romanos dos bárbaros; o muro de Berlim, construído no contexto do pós II Grande Guerra, no que se convencionou chamar de Guerra Fria – a princípio uma cortina de arame farpado, rapidamente substituída por placas de concreto em 1961 – o muro separava fisicamente a cidade, dividindo-a em dois setores, Leste e Oeste e delimitava as fronteiras entre capitalistas e comunistas. Num exemplo mais recente, temos a "Barreira de segurança" entre a Cisjordânia e Israel construída no ano de 2004. A intenção de todas sempre foi uma só: apartar uns de outros. 
Em seu texto "Mãe, onde dormem as pessoas marrons?" a escritora e jornalista Eliane Brum também fala de muralhas. Ela fala de muralhas físicas, de concreto, chamadas de condomínios, que as pessoas constroem com cada vez mais freqüência numa tentativa de sentirem-se seguras nessa “selva de pedra” em que se transformaram as grandes cidades brasileiras: Eliane compara o Brasil atual a um grande condomínio – existem os que habitam o “lado de dentro” desse lugar e os que tentam sobreviver do “lado de fora”, no não-lugar.  Em seu texto, a jornalista toca em importantes questões atuais tais como o debate que tomou conta dos noticiários e redes sociais nas últimas semanas em torno da redução da maioridade penal no Brasil, de 18 para 16 anos. O projeto de lei foi aprovado – mas qual o custo disso para o país? 
Porém, o principal mérito do texto de Brum talvez consista no fato de levar-nos a uma reflexão sobre muralhas não palpáveis: as chamadas “muralhas internas” que todos cultivamos em maior ou menor grau ao longo da vida, para nos blindar, para nos proteger e nos dar a sensação de conforto e aceitação – ainda que tal percepção seja quase sempre ilusória. E ao ler o texto é impossível não levantarmos individualmente algumas reflexões inquietantes: quantas muralhas estamos construindo ao redor de nós mesmos? Quantas barreiras estamos levantando que talvez nos impeçam de enxergar o primordial, o essencial das coisas? Quantos muros estaremos dispostos a derrubar numa possível caminhada rumo a um pais mais justo e solidário? 
Ao final do texto, Eliane nos brinda com um delicado vídeo intitulado "Caminhando com Tim-Tim" em que nos mostra que é na pureza das crianças que conseguiremos vislumbrar sentido para a palavra “esperança”, e nos faz lembrar da célebre frase de Proust: “a verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens e sim, olhar com novos olhos.” 
Que nunca percamos de vista o quão vital é enxergar além do óbvio e do senso comum em algumas questões postas para o Brasil atual!

        Karina Camargo Lima

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A invasão da Ucrânia pelos alemães na II Guerra Mundial na arte performática de Kseniya Simonova

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Nessa apresentação, a ucraniana Kseniya Simonova, de apenas 24 anos, retrata a vida na então União Soviética durante a Grande Guerra Patriótica contra o Terceiro Reich na Segunda Guerra Mundial. Episódios que marcaram a história de seu país, bem como a vida de todos os ucranianos e ucranianas e que não devem ser esquecidos, passam pelos dedos da artista. Simonova teve o primeiro lugar com essa apresentação e ficou mundialmente conhecida. Seu talento, presença de palco e sensibilidade ao retratar as cenas são inegáveis.

Mulheres na Arte

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sábado, 21 de agosto de 2010

História e Literatura - um diálogo possível

Da reflexão de estudiosos como Hayden White surge a desconstrução da teoria instituída no século XIX que teria conseguido assegurar até algumas décadas do século XX a noção de que literatura e história são campos distintos, indicando que, enquanto um ficcionaliza o real, o outro o estabelece. Baseada nessa visão, as opções de história pretendiam a cientificidade da disciplina a qualquer preço, e a história autodenominou-se a única possibilidade de registro da realidade do passado, não reconhecendo essa capacidade na literatura. Embora a descrença no discurso científico unitário sobre o homem e a sociedade tenha se agudizado no quadro da crise dos paradigmas de interpretação do real na transição do século XX para o XXI, o debate sobre a história e suas conexões com os gêneros literários já estava colocado desde a década de setenta do século passado.


Ao pretender estabelecer relações entre História e Literatura, procura-se compreender que a literatura é, além de um fenômeno estético, uma manifestação cultural e portanto uma possibilidade de registro do movimento que realiza o ser humano na sua historicidade, seus anseios e suas visões de mundo, permitindo ao historiador assumi-la como espaço de pesquisa. Assim, não se trata de substituir a ficção pela história, mas de possibilitar uma aproximação poética em que todos os pontos de vista, contraditórios mas convergentes, estejam presentes, formando o que Steenmeijer chamou de representação totalizadora. Possibilitando assim que a literatura possa ser considerada como uma leitora privilegiada dos acontecimentos históricos.

Com a proposta de refletir sobre literatura na perspectiva da história social, Sidney Chalhoub e Leonardo Pereira assumem a proposta de historicizar a obra literária – seja ela romance, conto, poesia ou crônica -, inserindo-a no movimento da sociedade, investigando suas redes de interlocução social, destrinchando não a sua suposta autonomia em relação à sociedade, mas sim a forma como constrói ou representa a sua relação com a realidade social. Os autores argumentam que a obra literária é uma evidência histórica objetivamente determinada, ou seja, situada no processo histórico; necessita, portanto, ser adequadamente interrogada a partir de suas propriedades específicas. “Para historiadores, a literatura é, enfim testemunho histórico”, afirmam.

CLIO - a musa da História: um pouco de Mitologia Grega

As musas eram deusas gregas que presidiam às artes. Clio é uma das nove musas, filhas de Zeus - o rei dos deuses e de Mnemósine - a deusa da Memória e, junto com suas irmãs habita o Monte Hélicon. As musas reúnem-se, sob a assistência de Apolo, junto à fonte Hipocrene, presidindo às artes e às ciências com o dom de inspirar os governantes e restabelecer a paz entre os homens.

Clio é a musa da História e da criatividade, aquela que divulga e celebra as realizações. Preside a eloqüência, sendo a fiadora das relações políticas entre homens e nações. É representada como uma jovem coroada de louros, trazendo na mão direita uma trombeta e, na esquerda, um livro intitulado "Thucydide" (Tucídides - historiador grego antigo). Outras representações apresentam-na segurando um rolo de pergaminho e uma pena, atributos que, às vezes, também acompanham Calíope, a musa da poesia. Clio é considerada a inventora da guitarra. Em algumas de suas estátuas traz esse instrumento em uma das mãos e, na outra, um plectro (palheta). Um dos nove livros de Heródoto (historiador grego, considerado "o pai da história") leva o nome de Clio, em homenagem à deusa.